CONTENTAMENTO E GRATIDÃO

Em tudo, dai graças…” (1Tes. 5.18)

O que significa ter um chuveiro elétrico instalado no banheiro? Para alguns, apenas um detalhe insignificante. Mas, para a irmã que, por motivo de saúde, há muito esperava esse benefício, não se tratava de um pequeno detalhe, mas de “um sonho realizado.”

Ter um sonho realizado por meio de uma pequena manifestação da bondade de Deus é uma das recompensas de não termos tudo que desejamos. Quem não tem necessidade, também não tem a alegria de ver a mão de Deus suprindo os mínimos detalhes; quem nunca sentiu sede, como será grato por um copo d’água? Por isso, os que mais têm, em geral, tem vidas mais áridas. Suas muitas posses matam o contentamento: não existem expectativas, nem sonhos, nem desejos por vir. Tudo já se encontra na conta bancária, inclusive a falta de gratidão a Deus.

Um grande perigo da abundância material é acharmos que Deus só está sendo bondoso quando nos concede grandes coisas. Nessa condição é fácil esquecer o preceito bíblico dado por meio do apóstolo Paulo: “Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes.” (1Timóteo 6.8). O texto claramente mostra que contentamento não deveria estar ligado à abundância material, assim como, também, a gratidão não deveria ser proporcional ao valor monetário da provisão divina.

Temos a tendência de desprezar as bênçãos ‘pequenas’ e rotineiras que o SENHOR graciosamente nos concede. Mas, a verdade é que “nele existimos e nos movemos’, ‘nele tudo subsiste’, ‘… porque dele por Ele e para ele são todas as coisas.’ Se lembrarmos o encontro entre Deus e o profeta Elias no monte Horebe (1 Reis 19.1-18), aprenderemos lições preciosas sobre a manifestação simples de Deus aos Seus servos, especialmente quando achamos que chegamos ao fundo do poço, chegando ao ponto de pensar que o melhor é morrer, como fez o profeta deprimido. Por convite do SENHOR, Elias se pôs à porta da caverna, pois Deus ia encontrar-se com ele (v.11). Inicialmente, Elias contemplou feitos poderosos e assustadores: um fortíssimo vento, um terremoto e um fogo abrasador. Mas Deus não estava em nenhum desses fenômenos. Finalmente, como lemos no verso 12, veio um “cicio tranquilo e suave”, e foi nessa brisa calma que Elias ouviu a voz de Deus. Quando não conseguimos ver Deus realizando os grandes desejos da nossa alma, devemos lembrar que Deus continua conosco, presente e atuante nas pequenas coisas. O SENHOR é o Deus dos céus e da terra, de longe e de perto. Ele é transcendente e imanente, pois “… assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos.” (Isaías 57.15) Não limitemos Deus às coisas grandiosas, embora saibamos que Ele as faz. Mas, louvemos ao SENHOR pelas bênçãos ‘pequenas e rotineiras’, pois o que nos parece pequeno, simples e gratuito tem valor inestimável.

Anos atrás, em viagem por um país africano, tive o privilégio de ter que tomar um banho diferente. Depois de um dia muito quente, andando por ruas poeirentas, chegamos a nossa pousada e descobrimos que estava faltando água. Havia um pequeno tambor com alguns litros do precioso líquido, mas não o bastante para todos nós. Assim, experimentamos na pele o processo de reaproveitamento de água. Fechamos o ralo da banheira, para reaproveitar a água já usada pelos que iam tomando banho primeiro. A água lamacenta armazenada usamos para tirar a terra no corpo. Graças a Deus, cada um teve a bênção de poder usar uns 3 litros de água limpa. Assim, lavamos a cabeça e conseguimos retirar a sujeira que a água reciclada deixou. Até hoje, poucas vezes tomo banho sem lembrar aquela experiência, dando graças a Deus quando vejo a água descer pelo chuveiro. Talvez tenha sido essa aventura na África que me fez apreciar o sonho do ‘chuveiro elétrico.’  Se o fato de não ter que tomar ‘banho de cuia’ já nos deveria alegrar, imagine tomar um banho em ‘chuveiro milagroso’, que aquece a água… é bênção demais!

Ter como motivo de gratidão a oportunidade de tomar um banho quente, infelizmente, não é comum nesses dias de ingrata abundância. Como temos muito, esquecemos que Deus é a Fonte e Razão de toda boa dádiva. Não esqueçamos: O pão nosso de cada dia continua sendo fruto da bondade de Deus e não um direito adquirido.

A serviço do Mestre,

Pr. Jenuan Lira.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *