MORTE EM LAS VEGAS

“… comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e destruiu a todos. ” (Lucas 17.27)

O mundo está chocado e os Estados Unidos, desnorteado, procura uma explicação plausível.  No último final de semana, o aposentado Stephen Paddock, 64 anos, entrou para a história dos assassinos em massa, matando 59 pessoas e deixando mais de 500 feridos.  Entrincheirado no trigésimo segundo andar de um hotel-cassino de luxo, o insuspeito atirador utilizou um verdadeiro arsenal, a fim de alvejar uma multidão que se divertia em um conserto de música country.

Por mais que forças poderosas nos queiram seduzir ao silêncio, uma tragédia dessa natureza não ocorre sem deixar feridas em nossa alma, que teima em perguntar porquê. E não adianta pensar que chegará um tempo em que não mais seremos incomodados com os porquês. O senso moral, marca da imagem de Deus em nós, não nos deixa dormir quando algo mal e perverso cruza nosso caminho. Como no caso de Las Vegas, as respostas para o dilema do mal podem estar envoltas em espessa nuvem de incerteza e incongruência. Mas, ainda assim dentro de nós algo se contorce, querendo compreender como alguém chega ao ponto de nos causar tanto mal.

Ninguém tem as respostas específicas para o horrível crime, mas podemos relacionar os frutos às árvores e chegar a um entendimento geral sobre a sementeira que se transformou na colheita de morte no estado de Nevada. Quem, como eu, já teve oportunidade de visitar Las Vegas, e tentou observar a negritude da realidade espiritual disfarçada nas fachadas dos suntuosos hotéis e cassinos, há de convir que o horrível crime ocorrido no show da morte era uma tragédia anunciada. O mundo ficou chocado ao ver a morte materializada nas dezenas de corpos caídos, mas o fato é que Las Vegas é um lugar onde a morte está sempre viva. A cidade é uma ilha de iniquidade em um país que, de modo geral, ainda tem uma dose de pudor e decência. E foi exatamente esse espírito de exaltação à transgressão que foi manifestado nos estampidos covardes das armas de Paddock.

Por mais duro que pareça, é preciso admitir que Las Vegas está provando do seu próprio veneno. O atirador não era natural da cidade, mas há tempos havia se convertido ao espírito e cultura locais. Las Vegas oferecia ao aposentado tudo o que agradava aos seus olhos e alimentava seu coração. A sensação de liberdade para pecar é o ar que se respira na cidade. Ali, Stephen Paddock podia esbanjar riqueza, apostando alto que esse era o caminho certo. Tudo a ver com a proposta de Las Vegas! Como o juiz iníquo da parábola, o qual ‘não temia a Deus nem respeita homem algum’, o atirador amava a cidade, pois lhe fazia sentir-se dono da própria vida. Para isso, Paddock, já fisgado pelo desejo de afirmação e independência, um mal que persegue a todos os pecadores, acreditou que podia fazer e acontecer. O espírito de Las Vegas lhe induzia a pensar dessa maneira. Restrição, amor ao próximo, disciplina? Nada disso! A cidade tem como característica oferecer ao mundo, o que não é permitido em outras partes do mundo. Depois de cruzar os ‘portais de Vegas’, o pensamento é apenas um: “comamos e bebamos, que amanhã morreremos”. Então, nada de limites. No cardápio da cidade são encontrados os pratos mais apetitosos ao homem que vive de si para si mesmo: luxúria, jogatina, drogas e sexo. Um paraíso de morte, para homens espiritualmente mortos.

O grande perigo de Las Vegas é que morte se manifesta numa embalagem bonita. De dia as paredes espelhadas dos hotéis escondem as garras da morte; à noite, a agitação das baladas, o luxo dos cassinos, o desfile de carros caríssimos e as luzes ofuscantes dos neons, escondem o perigo que espreita em cada esquina.

É difícil consolo para tanta dor. Mas, se tragédia, pelo menos acordar os milhares que estão seguindo para a destruição, a morte não fica com a palavra final. Diz o ditado popular que ‘quem planta vento, colhe tempestade’. Las Vegas há muito planta vento, agora colhe uma tempestade, que veio no pior formato “e destruiu a todos”. À semelhança de Sodoma e Gomorra, Las Vegas resolveu passar dos limites, a medida de iniquidade parece estar transbordando e Deus resolveu colocar o dedo no suspiro. Tudo que vimos é horrível, mas se não houver arrependimento e retorno a Deus, o pior está por vir.

 

Deus salve a América… Deus salve o Brasil!

 

 

 

A serviço do Mestre,

Pr. Jenuan Lira

 

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